Por quanto tempo estamos usando nossas roupas?

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@nicolasladinosilva / unsplash


Genial ou de extremo mal gosto? As opiniões ficaram dividas com o anúncio dos novos tênis da Balenciaga.

Entre uma coisa e outra, teve de tudo. O que não houve foi alguém, que acompanha os lançamentos de moda, que ficasse indiferente diante do calçado destroyed apresentado pela marca.





A coleção Paris Sneaker Destroyeds contam com itens que custam US$ 1,8 mil (cerca de R$ 9,2 mil) e que inevitavelmente nos faz pensar: quantas vezes realmente usamos nossas roupas antes de condená-las aos aterros sanitários?

Se um tênis nesse estado pode ser apresentado como item de luxo, porque descartamos roupas em tão boas condições simplesmente porque enjoamos delas?

Tênis Balenciaga e moda ultra-rápida dizem muito sobre a forma como usamos as roupas

Ou, pior, marcas descartando em aterros produções inteiras como observamos em diversos países subdesenvolvidos do mundo?

Não vamos entrar aqui no mérito valor de marca (ou branding, melhor dizendo)  ou na afronta a quem não tem condições de comprar peça alguma — como pessoas abaixo da linha de pobreza ou em situação de rua, por exemplo, mas diante de peças assim é importante pensar.

A maioria das pessoas já pensou, pelo menos uma vez, em 'não tenho nada para vestir' enquanto olha para um guarda-roupa cheio de roupas.

Se isso está se tornando frequente, precisamos ponderar, já que o número de vezes que usamos nossas roupas faz uma grande diferença para o planeta.


AFP / reprodução


Foto de um aterro de fast fashion no Chile estão circulando na internet


Minha mãe ainda tem peças dos anos 70,  eu, dos anos 90, e ficamos instantaneamente impressionados com a sensação deles em nossas mãos e com o fato de ainda poderem ser usados ​​depois de tantos anos.

Nada como essa roupa frágil feita se desgastar na primeira lavagem, mas forte o suficiente para durar anos e anos na natureza.

Ao focar no baixo custo em vez de materiais ecologicamente corretos e condições de trabalho justas, a moda do descartável consegue reduzir os preços de seus itens, além oferecer novas coleções mensalmente ou até semanalmente.

Essas práticas focam e acabam atraindo pessoas que não podem pagar tanto, que não tem seus corpos contemplados pelas marcas ou que deseja se sentir pertencentes aos seletos grupos dos que podem pagar e exibir os lançamentos do hype.

Basicamente, as roupas passaram de duráveis ​​a descartáveis, com a defesa ferrenha desse público e também com a ajuda de robôs programados para atacar quem ousar falar algo que desagrade essas gigantes da ultra-fast fashion.

As mídias sociais são fundamentais tal como a colaboração de influenciadores, onde você nunca verá a mesma roupa duas vezes e o consumo excessivo é sinal de status e sucesso.

Quantas vezes as roupas são usadas antes de serem descartadas? Em média, apenas sete vezes. E, se isso não foi chocante por si só, lembre-se que mesmo em meio à crise compramos 60% mais roupas do que no ano 2000.

Isso leva a quantidades ridículas de resíduos têxteis: 18,6 milhões de toneladas de roupas sendo jogadas fora em todo o mundo. Todos os anos.

De acordo Lauren Bravo, usamos apenas 10% de nossas roupas no dia-a-dia. "É (...) sobre amar roupas, brigar com a moda, bater a porta na cara do fast fashion e se perguntar o que diabos vestir agora",  tuitou a autora de How To Break Up With Fast Fashion (Como acabar com a moda rápida, em tradução livre).

E como senão fosse suficiente, essa quantidade não pode ser utilizada por muito tempo. Ao contrário daqueles jeans dos anos 80 que resistiram ao teste do tempo por gerações, agora usamos 60% de nossas roupas por menos de um ano.

No entanto, mesmo que quiséssemos usar muito, não seria possível. Isso porque grande parte as roupas acessíveis, como já vimos, é feita em tecidos de baixíssima qualidade e não duram tanto para serem usadas mais vezes.

É por isso que é importante lutar por uma moda ética, justa, inclusiva e sustentável. Tem que ser tudo isso, não dá para ser só uma coisa ou outra. 





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