Por que o tamanho das roupas é um problema tão grande?

Salvador - BA, Brasil
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@shvetsa / pexels



É comum entrar em uma loja e simplesmente não saber qual tamanho comprar. Em uma vestimos 40, em outras o tamanho 42 não cabe. Mas, por que isso acontece?

Há alguns anos ouvimos que essa confusão estava com os dias contados, mas a padronização da grade de tamanhos das roupas não é tão simples quanto parece.

Clientes, empreendedores, estilistas, modelistas... todos sofrem com as inconsistências, além de que um mercado em forte expansão tem visto suas taxas de devolução aumentarem absurdamente, o que afeta toda uma cadeia produtiva.

Ao lado de problemas como o frete, a tabela de medidas é uma das maiores dores de cabeça de quem vende roupa online.

Para os consumidores, comprar uma peça no comércio eletrônico — e até em lojas físicas — também é um desafio, já que os tamanhos (de numeração idêntica) podem variar. Um calça 42, por exemplo, de um modelo pode servir, enquanto de outro não.

Isso porque as medidas de um tamanho de uma coleção vendida no verão podem não ser as mesmas que serão vendidas no inverno, por exemplo. Sim, mesmo que seu peso e medidas sigam inalterados, aquele tamanho de três meses atrás pode simplesmente ser alterado sem qualquer critério justificável.



A INDÚSTRIA ESTÁ BUSCANDO SOLUÇÕES, MAS É DIFÍCIL ENTRAR NUM CONSENSO.

Em 2017, o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai-Cetiqt), do Rio, concluiu um estudo inédito no país, a Pesquisa de Caracterização Antropométrica Brasileira (SIZEBR), que classificou os diferentes tipos de corpos dos brasileiros.

O SIZEBR definiu tabelas de medidas masculinas e femininas para as cinco regiões brasileiras, dividindo-as por biótipos. Para as mulheres, foram determinados as características retângulo, triângulo, ampulheta, colher e triangulo invertido.

Para definir essas nomenclaturas eles se basearam nas pesquisas internacionais realizadas para a caracterização de tipos físicos através da proporção entre de busto, cintura, quadril e quadril alto (esta última medida corresponde à circunferência localizada na metade da distância entre cintura e quadril).

Porém, não é todo mundo que concorda com essas classificações e falhas são apontadas, já que padronizar requer atender a to-dos os tipos de corpos.



ENTÃO, COMO SABER O MEU TAMANHO DE ROUPA?

Quando entramos numa loja e pedimos duas blusas tamanho M, mas de modelos diferentes e notamos que uma cabe e a outra simplesmente não serve, somos convencidas que a culpa é da modelagem que veio numa "forma pequena ou grande" e você tem que dar sorte para achar uma que seja adequada a seu corpo.

Esse problema seria resolvido pela padronização, mas, por outro lado, simplesmente não funcionaria para todo mundo que produz roupa, já que muitos não se importam com o tamanho da roupa que vendem e preferem sequer discutir o assunto.

Não é segredo que alguns atacadistas — e até mesmo lojistas — são adeptos de uma prática nada legal. Quando acabam as peças de tamanho ‘P’, as peças ‘M’ e ‘G’ são sumariamente remarcadas como se fossem ‘P'.

Essa é prova de que seguimos num modo tentativa e erro ou tentativa e acerto. Simplesmente não há como precisar.


OS PROBLEMAS SERIAM A DESONESTIDADE E A AVERSÃO POR TAMANHOS GRANDES?


Não necessariamente. Embora seja comprovado que boa parte das marcas possuem uma grade limitadíssima e que raramente ultrapassa o P/M/G ou 38/40/42. Argumentam que tamanhos maiores que esses não vendem.

Porém, devemos questionar: há campanhas para que mulheres que não se encaixem nessas medidas se sintam representadas e encorajadas a experimentar suas peças?

Para se ter um ideia, há modelos de prova com medidas mini e toda grade é feita em cima dessas medidas. Isso significa que se o tamanho dela for considerado 36 pela marca, cada tamanho seguinte poderá ser aumentado em 2 centímetros, por exemplo.

Resumindo, uma cintura 36 teria 72 cm, a 38 teria 74, a 40 76 cm e assim até o 44, se chegar a tanto. Como isso poderia funcionar nos "corpos reais"?

Então, só podemos confirmar que a marca em questão não está nem um pouco preocupada em atender quem esteja fora dos seus padrões.

Há ainda o caso de lojas em que os modelos de prova são as próprias donas das confecções. Sim, isso acontece. E qualquer mudança em suas medidas impacta toda uma grade/base sem o menor constrangimento.


ENTÃO, O QUE PODE SER FEITO?

Recentemente, a H&M do Reino Unido mudou os tamanhos do departamento feminino. Isso aconteceu após anos de reclamações de clientes que afirmavam que as roupas eram menores do que se podia tolerar.

Em terras brasileiras, as pressões existem, mas seguem tímidas e pouco refletem na decisão da indústria do vestuário. Especialmente, porque, nesse momento onde atravessamos uma pandemia, a prioridade das marcas é se manter de pé.

Por outro lado, essa pauta é bastante urgente e, talvez esteja aí uma forma de continuar existindo: conhecendo o seu consumidor, repeitando suas particularidades e buscando a excelência sempre.

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