Consumo x Consumismo: Um guia para fazer compras conscientes

Salvador - BA, Brasil


Nossa forma consumir — não só roupa como todas as coisas — mudou muito ao longo dos anos. Vem entender o pouco em que patamar estamos e o que precisamos mudar.


Uma série de hábitos ruins desconectaram nossas vontades das nossas necessidades. E pensar que a gente compra e como compra é o primeiro passo para mudar o rumo das coisas.


Mesmo que ninguém tem todas as respostas — ou mesmo alguma resposta definitiva — precisamos tentar. Então, espero que essa conversa nossa possa gerar algum debate e muitas reflexões.


Assim, separei um conjunto de ações aprendidas/exercitadas na minha jornada prática de uma consumidora compulsiva que adquiriu consciência do que precisa de fato.


Primeiro, antes de você prosseguir nesse texto, preciso alertar que não são regras impostas. O ato de ser consciente requer um desejo real de mudar, de sair da zona, o que pode ser um processo difícil, doloroso, inclusive.


Pronta? Vamos lá! Não quero dar um e Nathalia Arcuri aqui (até porque não tenho a menor competência pra isso), mas preciso te dizer que roupa não é investimento. Comprar roupa é gasto. Sim, você vai precisar desembolsar seu rico dinheirinho.


Então, o sensato é usar muito a roupa que compramos, mas pra isso é preciso que ela tenha qualidade. Elas serão mais caras? Provavelmente, sim. Mas, imagine uma peça que dura sei lá, 20 anos? Eu tenho um tênis que tem mais que isso, comprei em 1998!


E pensar que uma parte das minhas leitoras nem tinha nascido... Vale a pena ou não vale, gastar um pouco mais e fazer essa peça render y render?


Esse é o motivo pelo qual estou sempre defendendo as melhores escolhas, uma relação saudável com o dinheiro, com as coisas, com o tempo e com os nossos desejos autênticos.




Consumo x Consumismo 


A primeira coisa que precisamos ter e mente é que a consciência não está em num produto, loja ou marca. A consciência está no comportamento, nas nossas ações.


Vamos pegar um exemplo prático de uma pessoa que chamarei de 1 e a outra de 2.


Pessoa 1:
Compra na C&A, escolhe bem suas peças e leva pra casa apenas aquilo que precisa, sabendo que a etiqueta vermelha não significa nada se é algo que não irá fazer diferença na sua vida.


Pessoa 2:
Compra em brechó, mas sempre um monte de coisas, muitas das quais nem consegue usar, mas estava em promoção e não podia perder "essa oportunidade".


Qual tipo de consumo é mais responsável, consciente, sustentável? Não precisa nem pensar muito pra responder, concorda?


Assim, entendemos por consumo: "a prática econômica de adquirir bens e serviços. Quando se compra algum item, está se consumindo aquela unidade". Já, consumismo como o "ato, efeito, fato ou prática de consumir descontroladamente bens materiais e artigos supérfluos".


Percebem que eu não sou sou contra o consumo? Ao contrário, defendo, sim, que precisamos de coisas, precisamos comprar, só que não comprar loucamente e de maneira deliberada, quando se bem entende, só porque tem dinheiro.


Além do mais, quem compra roupa em excesso acaba não conseguindo usar tudo o que tem. Ou porque não dá pra enxergar todas as possibilidades em guarda-roupa lotado ou por não ter ocasiões suficientes durante a existência pra vestir tanta coisa.


Fora que é bom usar nosso tempo pra cuidar da gente, se conectar com outras pessoas, ao invés de cuidar de coisas acumuladas.



Como começar hoje a mudar seus hábitos de consumo


1. Faça uma lista.

A melhor forma de começar é conhecendo a si mesma. O que gosta? Do que precisa? Conheça seu guarda-roupa, assim você saberá o que precisa está faltando. Uma peça de roupa pro trabalho? Algo para sair à noite? Faça uma listinha e compre apenas o que estiver nela e o que de fato tem a ver com você e seu estilo.

2. Responda à 3 perguntas-chave:

  • Eu realmente preciso disso ou só vou comprar porque está barato? 
  • É legal, tem  ver comigo? Ou só quero comprar porque é tendência?
  • Poderia investir essa grana em uma coisa que me traria um melhor retorno?

3. Compre do pequeno produtor.

Por que não dar uma chance para os pequenos produtores? Aquela lojinha de bairro, a oficina de artesanato, uma marca de slow fashion, assim você contribui para a economia local, apoia sonhos e pode ter algo que vá durar um pouco mais e que você pode investigar a procedência.


Por fim, lembre-se: comprar por impulso invariavelmente nos causa uma sensação ruim quando, em contrapartida, o planejamento na hora da compra traz inúmero benefícios e o que é melhor a longo prazo. Vamos juntas?


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